O pessoal da Divisão Científica, onde íamos assinar a lista de presença, adorou nosso uniforme e até elogiaram a nossa iniciativa.
Chateau diz que as crianças amam a ordem, as repetições, os ritmos e que “ordem facilita a ação pelo qual o eu se expressa e se afirma” (1987, p. 61).
Acredito que criar uma identidade própria por meio do uniforme, principalmente no hospital, traz uma marca personalizada que se “expressa e se afirma” na pessoa que o usa. Torna-a familiar àquele ambiente, facilitando o vínculo de confiabilidade entre as arteterapeutas e as crianças, principalmente para estas crianças, que necessitam de uma atenção e um cuidado em especial.
“As crianças necessitam de hábitos regulares e de regras firmes, sem excesso de cuidados, mas sobretudo de muito amor e tolerância. Devem sentir que gostamos de estar com elas.” (LINDQUIST, 1993, p. 104).
Segundo o Dicionário Houaiss (2004) Identidade é: “...estado do que não muda, do que fica sempre igual; conjunto de características e circunstâncias que distinguem uma pessoa ou uma coisa e graças às quais é possível individualizá-la...”
E a palavra Uniforme significa: “...que tem a mesma ou aproximadamente a mesma forma, aparência, padrão, valor que o(s) outro(s) do mesmo tipo; análogo, idêntico, semelhante; vestuário padronizado...”
Uma vez entrei no quarto sem avental e logo uma criança comentou: “Tia! Você não está com a blusa igual à dela!” Referindo-se à arteterapeuta Fernanda.
Neste momento eu me dei conta de como o uso deste uniforme foi importante para as crianças.